Hoje eu estou me sentindo especialmente gorda. Estou sentindo minha calça apertada , minha barriga está maior que nunca, até meu peito que é pequeno está grande. Horrível, estou me sentindo horrível. E o pior, hoje vou para um hotel fazenda com minha família. Ninguém imgina como mães podem ser cruéis. Ele vem com aquele papo de que é para seu bem e aí ferra mais ainda com a sua mínima auto estima. Você se sentia horrível e passa a sentir uma bosta horrível. Fora meu pai que dá indiretas, do tipo, tem certeza que vai comer isso? Não seria melhornum alface! Foda. Sou a única gorda da família e alvo de um preconceito velado imenso.
Chega de falar de mim.
Hoje eu ainda estou de plantão, só consegui trocar a parte da tarde. Tem uma paciente aqui, que tá de dar dó. Ela está super triste porque vai passar o reveillon aqui, internada no CTI... Vai mesmo... Não tem jeito. Ela está com uma arritmia difícil de ser controlada. Duvido que melhore até amanhã . Quando fui examina-la ela começou a chorar, me pedindo para dar alta para ela. Como se isso dependesse de mim.
Claro senhora, por causa do reveillon, eu vou te liberar para você ter uma arritmia em casa e voltar de urgência para o hospital. As vezes não entendo os pacientes. Se ele procurou o hospital com um problema, o mínimo que se espera é resolver parcialmente o problema que te trouxe ao hospital. E aí sim ter alta. Mas basta uma festa e toda a razão se esvai e faz a pessoa acreditar que já melhorou só para ter alta.
Dei a notícia ruim, o mais doce que pude... Não sou muito doce, mas me esforço.
Senhora, há o risco iminente de uma arritmia maligna, não há como eu dar alta na senhora. Ela chorou mais, mas entendeu.
Seguindo em frente, me deparo com o oposto. Uma paciente de idade bem similar à outra me diz: Ainda bem que estou internada, senão seria obrigada a comemorar o reveillon . Minha filha acha que estou doente se não for a sua festa . Odeio estas festas. Só servem para nos deprimir e lembrar que estamos ficando velhos. Odeio reveillon ! Adoro estar internada. Novamente coube a mim a notícia triste: mas a senhora está de alta hoje do CTI, deve receber alta para casa amanhã. Ela também começou a chorar copiosamente. Eu pensei: desisto, nunca vou agradar ninguém.
Finalmente cheguei no último paciente internado. Este se encontra sedado e entubado, finalmente alguém que eu não farei chorar!
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